sábado, 21 de fevereiro de 2009

Tudo igual.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma infinita loucura.



Como se uma corrente envolvida em minha garganta estivesse por segurar essas palavras malditas descontroladas e impulsivas, eu me aguentei e pior do que a dor aguda de minha garganta presa era ter que engolir essas palavras tão cheias de veneno, ele me fazia tão mal.
As lágrimas quase derramadas eram ódio puro outrora era só dor, uma dor guardada a sete chaves no armário obscuro das entrelinhas da minha vida, um lugar onde nem eu me sentia bem em relembrar, as perdas causadas por tantas falhas em mim corroía cada parte da minha alma, era quase como uma dor constante, não uma dor física mas uma agonia eterna e imutável.
Eu era a entrada para um lugar onde poucos estariam habilitados ou interessados em chegar, o meu interior confuso e misterioso atraiu mais do que distanciou mas os meus olhos quentes e nada simpáticos impediam que a barreira fosse quebrada, ninguém se atreveria a enfrentar minha infinita confusão de sentimentos, eu era antes calorosamente ansiosa, capaz e falsamente amável, eu era forte, agora eu era nada mais que uma paranóia viva, calculando e dando passos errados, observando com olhos turvos mais um dia colorido e agora parecia tão interminável, cada instante tão eterno, 'minha infinita loucura' foi o que me tornei.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Final Feliz?

Já fazia um tempo desde o episódio do parque, mas depois daquilo tudo estava exatamente igual, você estava sempre deslumbrante fazendo o que tinha de fazer, e todos os dias aos fins de tardes você ia pra casa, o seu lugar seguro, perto da sua família, E não houve uma noite se quer que eu não tenha sonhado em fazer parte desse mundo seguro, somente do seu mundo seguro, eu seria tão mais feliz, nós seriamos.
Com o passar dos meses eu fui aprendendo a matar o meu desejo sobre você aos poucos, a sede da sua presença que me consumia às vezes tentava me matar, mas ignorei diversas vezes. O seu sorriso era tão irresistível quanto o calor do seu corpo que me chamava como um vício. Você de antídoto passou a ser o meu mais perigoso veneno, e agora eu podia me ferir muito mais.
Então decidi que por mais amargo o sabor da derrota, essa era a minha única verdade, eu já havia deixado para trás muitos erros, e meu passado ao seu lado era só mais uma prova, as suas palavras como sempre me causaram arrependimentos, mas não passava disso, o que estava feito estava feito.
Então escolhi a noite mais sombria e escura, uma noite sem estrelas, e desta vez eu não fiz malas ou tentativas inúteis de voltar no tempo, não quis não partir nem mesmo quis te ferir novamente, então só deixei as coisas onde sempre foram, tranquei a casa e levei comigo apenas minha história, um dinheiro e meus sonhos. Parei o carro na porta da sua casa e não hesitei em nenhum momento, desci a andei até a sua porta, apertei a campainha e esperei. Você abriu a porta com um rosto confuso, estava frio, tanto eu quanto o dia, então um olhei nos seus olhos infantis e disse – Não, você está errada, não há mais tempo para nós. – Dei as costas e não esperei por uma resposta, eu não me importei em quantos pedaços o seu coração quebraria, ele seria capaz de se curar novamente, mas se eu permanecesse aqui por mais um tempo, o meu coração não agüentaria.
Segui e entrei no carro, respirei fundo e continuei dirigindo, de uma forma ou de outra eu não podia negar, eu estava fugindo e estava tão claro quanto água, nós não seríamos nunca um par, Nós éramos como imãs que se repelem, eu sabia que mesmo existindo tanto sentimentos entre nós, um dia nós sempre acabaríamos nos ferindo, então eu só fui embora, viver os meus dias longe de você o meu perigo, e você seria mais feliz.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Depois da tempestade. 10ª parte

Encontrar você com o tempo deixou de ser tão doloroso, eu me sentia apenas anestesiado de todos os efeitos que você poderia me causar, mas eu ainda podia sentir meu coração disparar quando te via andar rapidamente pelos corredores escritório como a mesma graça e leveza de sempre.
Não me sentia mais como o adolescente que tinha fobia do seu olhar, eu tinha amadurecido apenas em poucos anos e você também, mas já não estava igual mesmo antes de nossas vidas mudarem bruscamente. Nada havia ficado claro, eu simplesmente desapareci desde aquele incidente, mesmo antes eu já não estava dentro de mim, eu não era o mesmo de antes, a sua falta me deixou tão fora de si, e deste então é como se eu não pudesse mais consertar isso, estava tudo tão estragado.
Foi numa dessas tardes quentes em que só se pensa em voltar pra casa, fora do horário, mas você sempre tem que encarar a vida real, eu estava aproveitando os últimos minutos do meu horário de almoço sentando embaixo de uma árvore frondosa, no parque bem conservado que fica de fronte ao prédio onde eu trabalho como entregador de correspondências, o mesmo prédio onde você trabalha como Escritora de um artigo de moda para uma revista local.
Eu estava apenas esperando e olhando as árvores em volta daquele lugar, nada parecia mágico ou irreal, tudo estava se tornando tão comum depois de um tempo, eu sempre fazia a mesma coisas todos os dias, e você estava longe de ser como eu. Você se aproximou vagarosamente como alguém que sente receio, talvez você realmente não quisesse estar fazendo aquilo, nos primeiros momentos eu tentei ignorar a sua presença, mas a sua presença de espírito era impossível de se ignorar, você não havia mudado nada – Posso me sentar aqui? Com... Você? -Me perguntou numa voz tímida, quase apressada – Claro. – Respondi na voz mais fria que pude, mas as palavras quase saíram doces e apaixonadas. Você se sentou e parecia tão... Deslocada, analisando cada gesto que fazia ou olhar, você não parecia com medo e eu definitivamente não sabia o que você estava pensando, então eu só fiz o que me pareceu a melhor coisa a fazer, algo que eu deveria ter feito há muito tempo – Me desculpe ... Por tudo. – Eu disse, e você não me olhou como se não entendesse ou fez cara de espanto, também não sorriu aquele sorriso pra mim, você só assentiu com a cabeça aquelas palavras sinceras.
Eu levantei do banco e saí andando, mas eu olhei pra trás e você ainda estava lá com aquele olhar sereno e calmo, com a voz mais doce existente você disse – Ainda havia tempo para nós... –olhou de volta para o chão, e parecia duvidar do que iria falar e continuou – Talvez ainda haja – terminou e sorriu um sorriso acolhedor.
Eu segui de volta ao trabalho e você, bem você havia me perdoado depois de tantos erros e finais e começos, se você ainda me amava? Eu já não tinha dúvidas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um novo começo. 9ª parte

Eu acordei o sol já clareava o quarto completamente através das cortinas finas, eu encarei aquela manhã clara como um sorriso seu que me faltava, porque cada manhã ensolarada que me recebia era como estar perto de você, exatamente com aquela sensação calorosa do seu abraço e do seu sorriso, mas não, você não estava mais do meu lado, não era mais como receber o seu doce olhar que parecia sorrir junto com você.
Os dois anos haviam passado vagarosamente, não como um daqueles dias chatos que parecem que nunca terminam, mas como aquela sensação de que faltava algo para completar a vida, a sua completa felicidade. Era cansativo chegar do trabalho (que eu tinha conseguido com muito esforço) e apenas sentar na velha poltrona deixada pelo meu pai e esperar o dia acabar, ir dormir e começar outro dia, mas ao menos eu teria outro amanhecer como você.
Era doloroso e também estranho pensar que de uma forma ou de outra eu estaria sempre ligada a você, me lembrando de cada detalhe do seu rosto, do seu jeito meigo, eu e você juntos era tão impossível quanto te esquecer.
Depois de tanto tempo era bom encarar esses dias como um recomeço, sem dor, sem medos, sem você.
Mas ter que ver todos os dias não me trazia uma sensação de alívio muito menos os mesmos impulsos que um adolescente, eu sentia receio, às vezes parecia como se tudo não tivesse passado de um sonho do qual eu acabei de acordar, você nunca me perdoaria pelas coisas que eu fiz a você, você estava coberta de razão, estava mudada, madura, mas em algum lugar dentro de você ainda estaria escondida a menina que eu encontrei a um tempo atrás, quando eu podia ter o seu sorriso como premio todas as vezes que te via.
E o meu amor por você ainda estava aqui assim como a menina estaria perdida dentro de você, não sei o que daria apenas pra pegar a sua mão novamente e apenas dizer – pode sentir isso? Meu coração ainda batendo dentro de meu peito – Eu poderia, mas nada era como antes, você era de outro agora, não importa o que eu fizesse, eu parti seu coração com as minhas próprias mãos e pagaria por este erro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Medo. 8ª parte

Eu estava exatamente no mesmo lugar, quando percebi o que eu realmente havia feito, eu caí sobre meus joelhos como se uma força maior que puxasse para baixo, eu coloquei suas mão frágeis sobre o meu rosto, o seu calor ainda estava lá assim como o meu, nós estávamos tão vivos e eu não poderia cometer o mesmo erro duas vezes. As pessoas estavam tão atordoadas ao ver todo aquele sangue, alguns correram para fora do local, às luzes se apagaram e ninguém parecia se importar com o fato da criatura mais doce do planeta estar morrendo, peguei você em meus braços, você parecia tão pálida, deduzi que estivesse perdendo muito sangue, devia estar sofrendo bastante, eu podia ver em seus olhos.
Em poucos minutos nós já estávamos no caminho para o Hospital e tudo o que eu podia ouvir era a sua respiração fraca em suspiros de dor, eu estava tão atordoado, como alguém seria capaz de machucar a coisa mais preciosa de sua vida? Da mesma forma que eu era o errado para você, eu te amava mais do que qualquer outra coisa nessa vida e a culpa disso era toda minha.
Cheguei ao hospital tirando você do carro em meus braços ensangüentados, enfermeiros e médicos que estava ali na entrada correram em nossa direção e tiraram você de mim. Quebrando minha promessa, eu estava no mesmo lugar e não pensava em deixar você, agora era tão tarde e o estrago estava totalmente feito. Seus pais chegaram logo depois que você foi levada para a sala de emergência e para a minha não surpresa eles estavam acompanhados daquele cara, eles entraram na sala de espera e me olharam incrédulos, enojados talvez, eu também ficaria se estivesse no lugar deles, sentaram o mais longe de mim possível. Pelos menos ninguém sabia a verdade, que eu havia cometido outro crime e pior, contra alguém tão inofensivo como você.
Peguei no sono ali mesmo na sala, mesmo parecendo impossível de se dormir eu estava mentalmente cansado de todas as coisas terríveis que havia feito a você. Acordei com um burburinho de pessoas falando seu nome, um médico jovem entrou silenciosamente na sala, o que calou toda a gente de uma só vez, elas olharam pra ele com grandes olhos apreensivos, alguns já tão cansados e tristes, essa devia ser sua família, eu queria poder levantar ali e me apresentar como o ‘seu namorado’, mas eu não poderia me considerar isso, nem era o momento então só esperei pra ouvir o que o médico tinha a dizer, houve um silêncio na minha cabeça – Esther sofreu um ferimento profundo no peito, mas a bala foi retirada com sucesso... – Ele disse essas palavras, mas não parecia muito animado quanto ao resto – Mas ela também perdeu muito sangue, nós não sabemos quando ela irá se recuperar totalmente. – Houve um minuto de cochichos seguidos de outro silêncio e uma voz fraca surgiu – Mas ela... Ela ficará bem, não é doutor? – Algo me dizia que o dono desta voz parecia sofrer tanto quanto ou pior do que eu, não parecia ser alguém tão superficial, e sem dúvidas a voz era daquele cara, ele parecia tão derrotado quanto eu, por tanto nessa batalha não havia vencedor, mas nenhum perdedor estaria pior do que eu, o próprio culpado.
Eu saí da sala, estava quase fora do hospital quando ouvi alguns passos atrás de mim e quando eu parei, eles pararam também, me virei para ver, era ele, com sua expressão derrotada – Então... Josh não é? Bem Josh você conseguiu o que queria? Destruiu a vida de Esther – Ele tinha um pouco de razão quanto ao fato de destruir a vida, mas não era o que eu queria – Você não entende! Eu não queria a ferir eu só queria que ela me amasse! – Eu fui sincero, eu vi dor em seus olhos – Fique tranqüilo, eu não contarei a ninguém que você causou isso, você tem sorte de ela estar viva ela o fará – Por um lado, ele não era exatamente ruim, um pouco de respeito ele parecia ter. Eu concordei com a cabeça ele tinha razão, eu o mandei voltar para dentro onde era o seu lugar, os assassinos e culpados deveria ficar longe, eu fui para casa.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Antes do fim. 7ª parte

Eu arrumei as malas, estava pronto pra partir pra bem longe, longe dos meus sonhos e da sua vida, não escreveria cartas nem deixaria rastros, eu sumiria exatamente como da vez que eu cometi aquele crime, só fugiria. Essa história poderia ser a história de minha vida, a minha triste vida, talvez um dia eu pudesse lembrar como aconteceu, das coisas que senti, de como pude sentir a minha alma de volta quando a sua vida cruzou com a minha, de como eu seria seu, se pudesse.
Mas você realmente não sentia nada, nenhum sentimento por mim, talvez um último toque fosse o bastante, em pensar que eu ensaiei essa despedida por tanto tempo, mesmo quando ainda estávamos juntos e agora parecia tão bobo, não haveria lágrimas para derramar muito menos palavras doces, nós cumpriríamos nossos destinos, cada um onde merecia estar e eu longe de você onde sempre foi o meu lugar, isso era o meu adeus para nós.
A arma ainda estava no mesmo lugar onde eu deixei, algumas balas me restaram já que só foi necessário uma para destruir a minha vida, eu a levaria comigo, talvez eu decidisse tirar uma vida no caminho para o fim, quem eu era agora? Eu estava planejando matar pessoas, fugir, desistir de encarar que o amor havia feito uma ferida em meu peito e que eu não poderia agüentar por muito tempo, a única vida que eu devia tirar era a minha.
Eu botei as malas no carro, agora era somente eu e o destino, mas antes eu teria de olhar você uma última vez, seria rápido e frio, eu não queria ser mais doloroso comigo mesmo. Eu desci a rua até chegar à frente da sua lanchonete preferida, era sábado à noite e provavelmente você estaria lá, desci do carro e caminhei até a porta, por motivos desconhecidos eu senti necessidade de levar a arma comigo, eu não seria tão perigoso assim, você me viu e parecia totalmente confusa uma mistura de surpresa com raiva, eu esperei na porta até você chegar onde eu estava, longe o suficiente – Olha Josh, eu sinto muito que as coisas acabaram dessa maneira mas você tornou tudo pior, eu te ama... – uma voz masculina que vinha de dentro da lanchonete interrompeu meus devaneios e as suas palavras doces – Esther fique longe desse cara! Eu estou mandando! – Era uma voz grosseira, mas você parecia não ligar só tentou continuar falando, mas o cara a segurou pelo braço e parecia tentar levá-la para longe de mim, ele não deveria tocá-la daquela maneira e você parecia não gostar daquilo também dizendo entre os dentes – Me largue! Eu ainda não terminei! – Ele continuou a puxá-la como se fosse um pacote qualquer, eu tinha que fazer alguma coisa para Pará-lo, em um segundo a arma já estava em minha mão e em direção a ele eu puxei o gatilho, houve um silêncio profundo, nenhum um som, houve um escuro e depois uma luz e em minha cabeça tudo estava confuso, girando.
Eu enxerguei novamente, Você estava no chão, imóvel e ninguém se movera, percebi que a arma ainda estava em minha mão e as pessoas estavam com medo, eu podia sentir – O que eu fiz? – Eu disse tão baixo que só você ouviu essas palavras tão arrependidas, Seus olhos claros coberto por uma fina camada de lágrimas estava atentos, dolorosos olhos, você me olhava ternamente e eu me senti o pior dos assassinos, aquele que via a vítima morrer imóvel.
Eu te amava... – me disse sorrindo. Uma lágrima percorreu o seu rosto, aquela também era a minha lágrima de dor.