Eu arrumei as malas, estava pronto pra partir pra bem longe, longe dos meus sonhos e da sua vida, não escreveria cartas nem deixaria rastros, eu sumiria exatamente como da vez que eu cometi aquele crime, só fugiria. Essa história poderia ser a história de minha vida, a minha triste vida, talvez um dia eu pudesse lembrar como aconteceu, das coisas que senti, de como pude sentir a minha alma de volta quando a sua vida cruzou com a minha, de como eu seria seu, se pudesse.
Mas você realmente não sentia nada, nenhum sentimento por mim, talvez um último toque fosse o bastante, em pensar que eu ensaiei essa despedida por tanto tempo, mesmo quando ainda estávamos juntos e agora parecia tão bobo, não haveria lágrimas para derramar muito menos palavras doces, nós cumpriríamos nossos destinos, cada um onde merecia estar e eu longe de você onde sempre foi o meu lugar, isso era o meu adeus para nós.
A arma ainda estava no mesmo lugar onde eu deixei, algumas balas me restaram já que só foi necessário uma para destruir a minha vida, eu a levaria comigo, talvez eu decidisse tirar uma vida no caminho para o fim, quem eu era agora? Eu estava planejando matar pessoas, fugir, desistir de encarar que o amor havia feito uma ferida em meu peito e que eu não poderia agüentar por muito tempo, a única vida que eu devia tirar era a minha.
Eu botei as malas no carro, agora era somente eu e o destino, mas antes eu teria de olhar você uma última vez, seria rápido e frio, eu não queria ser mais doloroso comigo mesmo. Eu desci a rua até chegar à frente da sua lanchonete preferida, era sábado à noite e provavelmente você estaria lá, desci do carro e caminhei até a porta, por motivos desconhecidos eu senti necessidade de levar a arma comigo, eu não seria tão perigoso assim, você me viu e parecia totalmente confusa uma mistura de surpresa com raiva, eu esperei na porta até você chegar onde eu estava, longe o suficiente – Olha Josh, eu sinto muito que as coisas acabaram dessa maneira mas você tornou tudo pior, eu te ama... – uma voz masculina que vinha de dentro da lanchonete interrompeu meus devaneios e as suas palavras doces – Esther fique longe desse cara! Eu estou mandando! – Era uma voz grosseira, mas você parecia não ligar só tentou continuar falando, mas o
cara a segurou pelo braço e parecia tentar levá-la para longe de mim, ele não deveria tocá-la daquela maneira e você parecia não gostar daquilo também dizendo entre os dentes – Me largue! Eu ainda não terminei! – Ele continuou a puxá-la como se fosse um pacote qualquer, eu tinha que fazer alguma coisa para Pará-lo, em um segundo a arma já estava em minha mão e em direção a ele eu puxei o gatilho, houve um silêncio profundo, nenhum um som, houve um escuro e depois uma luz e em minha cabeça tudo estava confuso, girando.
Eu enxerguei novamente, Você estava no chão, imóvel e ninguém se movera, percebi que a arma ainda estava em minha mão e as pessoas estavam com medo, eu podia sentir – O que eu fiz? – Eu disse tão baixo que só você ouviu essas palavras tão arrependidas, Seus olhos claros coberto por uma fina camada de lágrimas estava atentos, dolorosos olhos, você me olhava ternamente e eu me senti o pior dos assassinos, aquele que via a vítima morrer imóvel.
Eu te amava... – me disse sorrindo. Uma lágrima percorreu o seu rosto, aquela também era a minha lágrima de dor.