quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nada além.


Chovia muito, ela abriu a porta e entrou calmamente pisando no carpete amarelado da sala, jogou as chaves sobre a mesa de canto ao lado de seu jarro favorito, largou as coisas sobre uma pequena poltrona que havia na sala de estar, caminhou até uma pequena varanda que tinha vista para avenida, parou e observou calmamente, as vidraças molhadas e embaçadas não permitiam que ela enxergasse muita coisa além de luzes naquela noite fria, olhou para cima e com um único suspiro seus olhos brilharam como se fossem lacrimejar.


Ela voltou-se para o corredor e andou desanimadamente até seu quarto, tocava uma música, a música lhe fez lembrar-se de um tempo muito distante quase irreal, um tempo em que quase tudo era maravilhoso, ela chorou.


Ela Chorou pela primeira vez, não pode conter-se, se vendo ali sozinha e a música que tocava dizia as mesmas palavras de sempre, mas agora era diferente, ela estava tão desolada e tão distante que qualquer coisa lhe faria chorar e não havia ninguém ali naquele lugar que pudesse parar aquilo, mas ela ao contrário das outras vezes em que sentia só, não tentou reagir àquele sentimento ela só se entregou aos poucos.


Naquela noite, Ela só sentou em seu quarto sobre a cama, ouvindo a mesma músicas várias e várias vezes, olhava fixamente através da janela por onde não se via nada além da água que silenciosamente escorria pela janela. Ela não sentia dor muito menos amor, e a essa altura da vida já não se permitia fraquezas como essas. Ela sentia saudades.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Aquela.


E lá estava ela, caminhando em direção ao seu apartamento no final de um dia cansativo, ela trazia sempre a mesma tristeza presa em sua face, aqueles olhos grandes e castanhos que mereciam muito mais que um rosto triste e tardes cinzentas, ela parecia bem apesar de sempre andar sempre com o mesmo olhar cabisbaixo e com os mesmos sapatos escuros de alguma grife que protege os animais.

Sozinha ela chegava ao seu apartamento que ficava logo ali pertinho do café no qual costumava ler todas as manhãs de domingo, aparentava ter mais que 30, não pelo seu rosto que me lembrava minha irmã mais nova, mas por seu jeito de interagir com as pessoas.

Aos sábados ela ia sempre ao lago esperar que finalmente algo de incrível acontecesse em sua vida, não tinha muitos amigos, na verdade não tinha nenhum.
Eu costumava ir ao parque só para ver ela sentada naquele mesmo banco perto dos arbustos lendo e observando as crianças que brincam ali perto, ninguém sabia, mas ela queria muito ter filhos e uma casa de campo, ela sonhava em se mudar daqui, mas são apenas sonhos, não tinha muita fé em pessoas que sorriem sem motivos e preferia Martini ao invés de cerveja.

Ela carregava a mesma aura pesada, talvez fosse a solidão ou coisa parecida, ela tinha medos, mas preferia não senti-los, uma vez amou um homem, mas ele não a amou de volta. Nas noites de inverno que passava sozinha ela escrevia nas páginas amareladas de seu livro de anotações quase sempre sobre a mesma coisa, pessoas que ela sabe que não lhe recordam ou sobre o fato de estar bem, ela sorria, enganava-se sobre sua vida e procurava esquecer que quase sempre iria estar sozinha e triste.

Ela tinha uma pele rosada que se destacava por seus cabelos longos e escuros, tinha um ar sombrio mais ao mesmo tempo trazia um pouco de inocência, que passava quase despercebida, não sei o porquê, mas aquela mulher parecia infeliz demais para tanta beleza.

Sempre saia às oito da manhã e caminhava até um jornal onde trabalhava ali perto, ficava até o final do expediente e depois lá estava ela, caminhando em direção ao seu apartamento no final de mais um dia cansativo, ela trazia a mesma tristeza impregnada em sua pele como algo incurável, talvez fosse solidão ou talvez fosse medo de fugir da escuridão.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Partida.


Descia as escadas rapidamente, parei e olhei pelo vitral da escadaria no qual a luz do sol atravessava impiedosamente naquela manhã de quarta-feira, as suas coisas já estavam dentro do carro e eu não pude evitar a nostalgia daquele momento, lembrei de tantas vezes que vi você sorrir e das vezes que brigamos por motivos banais.

Naquele instante me veio uma vontade de correr em sua direção e pular em seus braços como fazia todas as manhãs antes de sairmos bem cedo, senti um grande desejo de te dizer mais uma vez para não ir, mas não o fiz.

Lá estava eu, imóvel, eu sei que deveria ao menos lhe dizer adeus, você sabia que no fundo eu não queria ver você partir, da janela do carro você me enxergou por entre as plantas que cobrem o corrimão das escadas, seu olhar dizia muito, embora as lágrimas já corressem por seu rosto.

No momento eu senti algo parecido com um na garganta, talvez fosse o grito de dor que hesitei em deixar ecoar pelos cantos das paredes que me ouviam chorar.

Deixei cair no chão os livros que segurava, como de costume os que levava sempre comigo, o caderno escancarado com seu cheiro, os bilhetes que você deixava sobre minha mesa, suas frases e músicas que agora eram mais parte de mim do jamais fui. Seus Vizinhos passavam por mim e me olhavam como quem sente pena ou algo mais asqueiroso, se um dia houve algo de forte em mim não estava ali naquele lugar.

O vento trazia seu cheiro, seus tons mais suaves, e aquelas escadas não me deixavam esquecer-se dos momentos mais doces e ardentes que vivi com você.

Saí em direção ao meu apartamento buscando continuar com aquela sensação de saudade em mim que me fazia lembrar seu jeito e suas manias, por diversas vezes escutei sua voz me chamando como só você sabia fazer, procurava ao meu redor, tarde de mais.

Cheguei em casa com a sensação que havia deixado algo pelo caminho, mais parecido com uma criança que perde alguma coisa e sabe que não vai encontrar, podia ouvir os meus soluços ecoarem pelos corredores, e meu quarto estava longe demais para esconder minha dor que não cabia em mim.

Procurei desesperadamente por alguma lembrança sua, algo que só eu podia saber e que me deixaria de alguma forma mais perto de você, mas tudo era tão banal diante das lembranças e marcas que você deixou em mim, nada me bastava.
Sentei-me ali sozinha pelo resto do dia, pensei no quão difícil seria acordar na manhã seguinte e sorrir novamente como se você nunca tivesse partido, meus tons já não eram escuros o suficiente para dizer ao mundo o quanto seria difícil fazer você tornar-se passado agora, em mim.

sábado, 8 de novembro de 2008

Fim.


Sábado, um dia normal para qualquer um, para mim também sendo apenas mais um nessa imensidão de gente. Acordei como todos os dias cansado do trabalho e do dia-a-dia, olhei no relógio que fica ao lado na cabeceira da minha cama e já eram 07:00 a.m apressei-me como sempre e nem me importei em não tomar café, tomaria no caminho como a maioria das pessoas que vivem aqui nessa cidade que não para.


Caminhei em direção a avenida na qual todos dias caminho até o metrô, era uma manhã fria e calada. E tão rápido de longe avistei alguém que parecia alheia àquilo tudo, parecia sorrir em um lugar onde alegria não se vê, e a poucos metros de chegar ao meu novo ponto de partida eu não sabia e não podia tirar os olhos daquela linda visão, ela tinha graça no olhar e seus gestos eram mais do que palavras, eu sorri para ela e ela sorriu de volta, em poucos minutos já não podia vê-la no meio da multidão.


Passei aquele dia imaginando como faria para encontrar alguém assim tão bela e majestosa em um lugar como esse, mas na realidade idéias não me vinham, não via nada além de seu sorriso, seus olhos castanhos quase cor de mel me envolveram como nenhuma outra.


Passou-se algum tempo e ela já havia quase sumido de meus pensamentos, tantos afazeres que quase não tinha tempo para pensar na moça que sorria. Saí para dar uma volta e esquecer de tudo que se passava aqui nesse mundo cão ao qual perteço desesperadamente, passei por onde repentinamente vi a bela moça na manhã de sábado, perguntei a um mendigo se sabia algo sobre a bela moça de todas as manhãs, ele me disse com um tom de voz triste que a bela moça que muito sorria, só sorria por que enfim a vida lhe dizia que já era hora de partir, partir desse lugar, a bela moça sorria porque não podia mais chorar e quando a dor lhe invadia ela sorria de volta e esperançosa ela pedia para que cada manhã sorrindo talvez fosse seu ultimo dia bem vivido.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Você.



Vai faltar você, para segurar minha mão e me impedir de ir.
Para falar aquelas coisas que ninguém mais sabe sobre nós.
Vai faltar você e eu sei porque, as coisas mudaram e você também, mas quero que saiba que vai faltar você.
Para olhar por mim enquanto ninguém olhar, para sorrir comigo e dizer que tudo vai estar bem.
Vai faltar você, porque um dia nós já fomos diferentes.
Vai faltar porque, ninguém pode cobrir os rasgos que sua falta fará, na hora que eu olhar pro seu lugar e você não estiver lá.

Vai faltar você e você sabe o porque, sem saber pra onde sorrir me sentirei só.
Porque embora todos estejam fingindo e acenando, vai faltar você a mencionar meu nome naquele tom de voz que só você sabe fazer.
Vai faltar você, porque nossos momentos seriam os melhores.

Mas de nada vai me adiantar tentar dizer agora ou depois de tudo, porque agora só eu posso ver que vai faltar você.

Perde


A gente perde,
todo dia a gente perde alguém
perde tempo
perde momentos.

Todos os dias a gente sente falta, a gente perde a graça e a vontade.

A gente perde amor
A gente perde a vez e a calma.
A gente vê que perdeu e continua a perder, cada passo que já dei, deixei pra trás outros mais que não voltarão.

Todos os dias a gente perde sonhos e realizações.
A gente perde o medo
A gente perde a dor e os sorrisos
A gente pede tanto pra que tudo volte, a gente corre contra o tempo, a gente quer ver o futuro mas tem medo de vê-lo.


Todos os dias a gente lembra que perdeu alguma coisa, que perdeu o carinho, que perdeu o amigo, porque todo dia a gente sente a falta do que perdeu.
A gente perde coisas e nem sempre ganha outras, a gente ganha vazios completos de sonhos e sem realizações.

A gente ganha vontade de voltar atrás e fazer tudo outra vez. A gente sente o medo chegar perto e a dor também, a gente não vê os mesmos sorrisos e a gente não ganha tempo, só vê ele se perder.