
Chovia muito, ela abriu a porta e entrou calmamente pisando no carpete amarelado da sala, jogou as chaves sobre a mesa de canto ao lado de seu jarro favorito, largou as coisas sobre uma pequena poltrona que havia na sala de estar, caminhou até uma pequena varanda que tinha vista para avenida, parou e observou calmamente, as vidraças molhadas e embaçadas não permitiam que ela enxergasse muita coisa além de luzes naquela noite fria, olhou para cima e com um único suspiro seus olhos brilharam como se fossem lacrimejar.
Ela voltou-se para o corredor e andou desanimadamente até seu quarto, tocava uma música, a música lhe fez lembrar-se de um tempo muito distante quase irreal, um tempo em que quase tudo era maravilhoso, ela chorou.
Ela Chorou pela primeira vez, não pode conter-se, se vendo ali sozinha e a música que tocava dizia as mesmas palavras de sempre, mas agora era diferente, ela estava tão desolada e tão distante que qualquer coisa lhe faria chorar e não havia ninguém ali naquele lugar que pudesse parar aquilo, mas ela ao contrário das outras vezes em que sentia só, não tentou reagir àquele sentimento ela só se entregou aos poucos.
Naquela noite, Ela só sentou em seu quarto sobre a cama, ouvindo a mesma músicas várias e várias vezes, olhava fixamente através da janela por onde não se via nada além da água que silenciosamente escorria pela janela. Ela não sentia dor muito menos amor, e a essa altura da vida já não se permitia fraquezas como essas. Ela sentia saudades.





