segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Medo. 8ª parte

Eu estava exatamente no mesmo lugar, quando percebi o que eu realmente havia feito, eu caí sobre meus joelhos como se uma força maior que puxasse para baixo, eu coloquei suas mão frágeis sobre o meu rosto, o seu calor ainda estava lá assim como o meu, nós estávamos tão vivos e eu não poderia cometer o mesmo erro duas vezes. As pessoas estavam tão atordoadas ao ver todo aquele sangue, alguns correram para fora do local, às luzes se apagaram e ninguém parecia se importar com o fato da criatura mais doce do planeta estar morrendo, peguei você em meus braços, você parecia tão pálida, deduzi que estivesse perdendo muito sangue, devia estar sofrendo bastante, eu podia ver em seus olhos.
Em poucos minutos nós já estávamos no caminho para o Hospital e tudo o que eu podia ouvir era a sua respiração fraca em suspiros de dor, eu estava tão atordoado, como alguém seria capaz de machucar a coisa mais preciosa de sua vida? Da mesma forma que eu era o errado para você, eu te amava mais do que qualquer outra coisa nessa vida e a culpa disso era toda minha.
Cheguei ao hospital tirando você do carro em meus braços ensangüentados, enfermeiros e médicos que estava ali na entrada correram em nossa direção e tiraram você de mim. Quebrando minha promessa, eu estava no mesmo lugar e não pensava em deixar você, agora era tão tarde e o estrago estava totalmente feito. Seus pais chegaram logo depois que você foi levada para a sala de emergência e para a minha não surpresa eles estavam acompanhados daquele cara, eles entraram na sala de espera e me olharam incrédulos, enojados talvez, eu também ficaria se estivesse no lugar deles, sentaram o mais longe de mim possível. Pelos menos ninguém sabia a verdade, que eu havia cometido outro crime e pior, contra alguém tão inofensivo como você.
Peguei no sono ali mesmo na sala, mesmo parecendo impossível de se dormir eu estava mentalmente cansado de todas as coisas terríveis que havia feito a você. Acordei com um burburinho de pessoas falando seu nome, um médico jovem entrou silenciosamente na sala, o que calou toda a gente de uma só vez, elas olharam pra ele com grandes olhos apreensivos, alguns já tão cansados e tristes, essa devia ser sua família, eu queria poder levantar ali e me apresentar como o ‘seu namorado’, mas eu não poderia me considerar isso, nem era o momento então só esperei pra ouvir o que o médico tinha a dizer, houve um silêncio na minha cabeça – Esther sofreu um ferimento profundo no peito, mas a bala foi retirada com sucesso... – Ele disse essas palavras, mas não parecia muito animado quanto ao resto – Mas ela também perdeu muito sangue, nós não sabemos quando ela irá se recuperar totalmente. – Houve um minuto de cochichos seguidos de outro silêncio e uma voz fraca surgiu – Mas ela... Ela ficará bem, não é doutor? – Algo me dizia que o dono desta voz parecia sofrer tanto quanto ou pior do que eu, não parecia ser alguém tão superficial, e sem dúvidas a voz era daquele cara, ele parecia tão derrotado quanto eu, por tanto nessa batalha não havia vencedor, mas nenhum perdedor estaria pior do que eu, o próprio culpado.
Eu saí da sala, estava quase fora do hospital quando ouvi alguns passos atrás de mim e quando eu parei, eles pararam também, me virei para ver, era ele, com sua expressão derrotada – Então... Josh não é? Bem Josh você conseguiu o que queria? Destruiu a vida de Esther – Ele tinha um pouco de razão quanto ao fato de destruir a vida, mas não era o que eu queria – Você não entende! Eu não queria a ferir eu só queria que ela me amasse! – Eu fui sincero, eu vi dor em seus olhos – Fique tranqüilo, eu não contarei a ninguém que você causou isso, você tem sorte de ela estar viva ela o fará – Por um lado, ele não era exatamente ruim, um pouco de respeito ele parecia ter. Eu concordei com a cabeça ele tinha razão, eu o mandei voltar para dentro onde era o seu lugar, os assassinos e culpados deveria ficar longe, eu fui para casa.

Nenhum comentário: