Encontrar você com o tempo deixou de ser tão doloroso, eu me sentia apenas anestesiado de todos os efeitos que você poderia me causar, mas eu ainda podia sentir meu coração disparar quando te via andar rapidamente pelos corredores escritório como a mesma graça e leveza de sempre.
Não me sentia mais como o adolescente que tinha fobia do seu olhar, eu tinha amadurecido apenas em poucos anos e você também, mas já não estava igual mesmo antes de nossas vidas mudarem bruscamente. Nada havia ficado claro, eu simplesmente desapareci desde aquele incidente, mesmo antes eu já não estava dentro de mim, eu não era o mesmo de antes, a sua falta me deixou tão fora de si, e deste então é como se eu não pudesse mais consertar isso, estava tudo tão estragado.
Foi numa dessas tardes quentes em que só se pensa em voltar pra casa, fora do horário, mas você sempre tem que encarar a vida real, eu estava aproveitando os últimos minutos do meu horário de almoço sentando embaixo de uma árvore frondosa, no parque bem conservado que fica de fronte ao prédio onde eu trabalho como entregador de correspondências, o mesmo prédio onde você trabalha como Escritora de um artigo de moda para uma revista local.
Eu estava apenas esperando e olhando as árvores em volta daquele lugar, nada parecia mágico ou irreal, tudo estava se tornando tão comum depois de um tempo, eu sempre fazia a mesma coisas todos os dias, e você estava longe de ser como eu. Você se aproximou vagarosamente como alguém que sente receio, talvez você realmente não quisesse estar fazendo aquilo, nos primeiros momentos eu tentei ignorar a sua presença, mas a sua presença de espírito era impossível de se ignorar, você não havia mudado nada – Posso me sentar aqui? Com... Você? -Me perguntou numa voz tímida, quase apressada – Claro. – Respondi na voz mais fria que pude, mas as palavras quase saíram doces e apaixonadas. Você se sentou e parecia tão... Deslocada, analisando cada gesto que fazia ou olhar, você não parecia com medo e eu definitivamente não sabia o que você estava pensando, então eu só fiz o que me pareceu a melhor coisa a fazer, algo que eu deveria ter feito há muito tempo – Me desculpe ... Por tudo. – Eu disse, e você não me olhou como se não entendesse ou fez cara de espanto, também não sorriu aquele sorriso pra mim, você só assentiu com a cabeça aquelas palavras sinceras.
Eu levantei do banco e saí andando, mas eu olhei pra trás e você ainda estava lá com aquele olhar sereno e calmo, com a voz mais doce existente você disse – Ainda havia tempo para nós... –olhou de volta para o chão, e parecia duvidar do que iria falar e continuou – Talvez ainda haja – terminou e sorriu um sorriso acolhedor.
Eu segui de volta ao trabalho e você, bem você havia me perdoado depois de tantos erros e finais e começos, se você ainda me amava? Eu já não tinha dúvidas.
An Epiphany!
Há 14 anos

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