
E lá estava ela, caminhando em direção ao seu apartamento no final de um dia cansativo, ela trazia sempre a mesma tristeza presa em sua face, aqueles olhos grandes e castanhos que mereciam muito mais que um rosto triste e tardes cinzentas, ela parecia bem apesar de sempre andar sempre com o mesmo olhar cabisbaixo e com os mesmos sapatos escuros de alguma grife que protege os animais.
Sozinha ela chegava ao seu apartamento que ficava logo ali pertinho do café no qual costumava ler todas as manhãs de domingo, aparentava ter mais que 30, não pelo seu rosto que me lembrava minha irmã mais nova, mas por seu jeito de interagir com as pessoas.
Aos sábados ela ia sempre ao lago esperar que finalmente algo de incrível acontecesse em sua vida, não tinha muitos amigos, na verdade não tinha nenhum.
Eu costumava ir ao parque só para ver ela sentada naquele mesmo banco perto dos arbustos lendo e observando as crianças que brincam ali perto, ninguém sabia, mas ela queria muito ter filhos e uma casa de campo, ela sonhava em se mudar daqui, mas são apenas sonhos, não tinha muita fé em pessoas que sorriem sem motivos e preferia Martini ao invés de cerveja.
Ela carregava a mesma aura pesada, talvez fosse a solidão ou coisa parecida, ela tinha medos, mas preferia não senti-los, uma vez amou um homem, mas ele não a amou de volta. Nas noites de inverno que passava sozinha ela escrevia nas páginas amareladas de seu livro de anotações quase sempre sobre a mesma coisa, pessoas que ela sabe que não lhe recordam ou sobre o fato de estar bem, ela sorria, enganava-se sobre sua vida e procurava esquecer que quase sempre iria estar sozinha e triste.
Ela tinha uma pele rosada que se destacava por seus cabelos longos e escuros, tinha um ar sombrio mais ao mesmo tempo trazia um pouco de inocência, que passava quase despercebida, não sei o porquê, mas aquela mulher parecia infeliz demais para tanta beleza.
Sempre saia às oito da manhã e caminhava até um jornal onde trabalhava ali perto, ficava até o final do expediente e depois lá estava ela, caminhando em direção ao seu apartamento no final de mais um dia cansativo, ela trazia a mesma tristeza impregnada em sua pele como algo incurável, talvez fosse solidão ou talvez fosse medo de fugir da escuridão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário