sábado, 17 de janeiro de 2009

O Novo Cara. 6ª parte

Era estranho agora ter que ver você me ignorar a cada esquina, parecia que nunca houve algo entre nós e o pior de tudo é que você não estava por aí sozinha, ou triste, você estava com ele, sempre esperando a oportunidade perfeita para fazer a ferida em meu peito doer cada vez mais, vocês pareciam feitos um pro outro sem dúvidas.
Ele era sempre tão irreal nada parecido com o que eu tentei ser pra você durante todo esse tempo, ele não precisaria esconder seu passado ou hesitar em chegar perto de mais, ele era o cara normal com quem você sempre deveria ter ficado. Mas a minha vontade de matar ele não havia passado totalmente, por mais que o que você tenha dito parecia completamente sincero, talvez você estivesse tentando me afastar, você sempre soube que eu não seria capaz de fazer qualquer coisa que não fosse da sua vontade, você teria aprendido como lidar comigo.
Mas olhando pra você pude sentir que estava fora de controle agora, você sabia de toda a verdade e eu não sabia como você havia descoberto, eu poderia simplesmente abrir mão de todo o meu alto controle e acabar com a vida desse cara, mas se a vida dele fosse ‘preciosa’ pra você, seria eu capaz? Eu não sei a que ponto chegaria, se ele fosse importante pra você agora, eu não poderia fazer nada além de te deixar viver, ir embora talvez e ser só mais um assassino perdido, sem rumo.
Encontrei-te de novo, dessa vez foi tão inusitado que não pude evitar te olhar delicadamente como antes eu fizera, mas agora eu teria de ser cuidadoso, você não era mais algo que me ‘pertencia’, você estava estonteante, não meramente linda, parecia como margaridas, claras e delicadamente perfeitas, a maneira como você jogava seu cabelo nervosamente enquanto esperava por algo parecia delicadamente como toques em uma harpa, talvez existisse algo em você que não fosse perfeito, mas não me prenderia em procurar algo tão impossível. Seus olhos se alertaram quando o novo cara caminhava em sua direção ao fundo do corredor, ele parecia tão incrivelmente... Superficial, mas não me prendi a ele, observei como você reagiria a isso. Porque agora parecia tão terrível ver você sorrir? Uma voz dentro de mim gritava tentando evitar que você sorrisse para alguém além de mim, e aquela vontade impulsiva me invadiu novamente, eu queria realmente matar ele, mas agora eu não podia ver você sorrindo para ele de tal forma me fez pensar no quanto você sofreria se eu acabasse com a sua mísera vida, ele agora fazia parte da sua preciosa vida.
Hei! – Eu gritei, quando o vi se aproximando, eu não pude evitar, eu sabia que meu lugar não era mais ali ao seu lado, mas era como se uma energia me empurrasse para isso. Seus olhos furiosos ao ouvir minha voz me encararam, tentei desviar o olhar, mas agora minha pele queimava como da primeira vez que você me olhou – O que você está fazendo aqui Josh?! Eu não quero mais... – Eu a interrompi na hora, não sei o que houve no instante que as palavras saíram, mas eu o fiz – Eu só vim dizer adeus, eu só queria me despedir e mais uma coisa, Esther... – Eu não iria dizer que a amava, por mais que quisesse, por mais que as palavras queimassem minha garganta, do que importava agora dizer, então eu disse baixinho andando em direção a saída – Eu te amo Esther - Não sabia pra onde iria, eu só a deixaria em paz.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O meu céu. 5ª parte

Estávamos mantendo nossos encontros como segredo, costumávamos nós ver durante a noite enquanto seus pais não estivessem por perto, eu não estava muito certo sobre o que faria, mas nós teríamos que fazer algumas mudanças a nosso respeito, você estava me envolvendo cada dia mais, nós estávamos muito próximos, até que ponto eu poderia ser o que você precisa? Eu não poderia arriscar de mais e te perder, você era meu vicio agora ou meu veneno.
Você não disse uma palavra se quer no caminho de volta para sua casa, esperei que cada suspiro seu fosse uma mínima palavra, mas não era. Deixei-te em casa, você estava estranha, estava me evitando e nem me arrisquei a questionar o que era talvez o silêncio quisesse dizer alguma coisa, fui embora.
No dia seguinte você não me procurou, ‘talvez eu devesse deixar você tomar as suas decisões’ eu pensei, deixei passar, mas nos outros dias que passaram você não me procurou e me perguntei se isso seria o fim, que motivos você teria. Pensei em te encontrar, em algum lugar que você não pudesse me esconder nada, se era o fim eu deveria saber. Esperei-te em frente a sua casa, mas já estava tarde e você não costumava sair com freqüência a noite então resolvi procurar por alguns lugares de novo, talvez tivesse saído depois da aula com as amigas, estaria me evitando então as amigas eram a sua fuga. No restaurante alí perto,você estava linda, com seu vestido lilás e um sorriso estampado, você parecia como o céu no amanhecer, seus olhos cor de mel faziam a melhor combinação com o vestido lilás, parecia com o meu céu, mas você estava sorrindo para outra pessoa, era um cara muito diferente, ele tinha olhos mais claros que o seus quase em um azul acinzentado, seu cabelo castanho claro combinava perfeitamente com suas roupas de garoto rico, não rico mas algo que combinava com você muito mais do eu, então era isso... Você tinha encontrado alguém, bem melhor do que eu.
Saí de lá com a fúria em meus olhos, não a culparia de não gostar de alguém como eu, eu não era nada amigável quando estava com olhos furiosos eu podia saber, eu não deveria, mas a minha vontade agora era de arrancar você daquele lugar com toda aquela gente superficial e estranha, de matar aquele cara. Eu esperei no escuro, aumentando minha raiva a cada minuto, eu iria esmagar cada parte dele, eu iria a fazer entender que você é só minha.
Vocês saíram você estava tão feliz e me perguntei se quando você estava comigo eu te fazia sorrir tanto quanto ele fazia, se você era melhor ao lado dele, enquanto pensava nisso eu agarrei ele pela gola da camisa fina, ele parecia amedrontado, você me reconheceu na hora, eu podia ouvir a respiração ofegante dele misturada com a sua, respiração furiosa, você gritava – Largue ele Josh! Deixe-o em paz, é o que eu quero! – quando você disse isso, eu tive que o deixar cair, você o queria, era isso. – Eu descobri tudo, você nunca mudaria você sempre será o mesmo assassino de sempre, eu te perdoaria, mas droga! Você nunca me disse! – Eu não poderia dizer, ela não entende que se eu a contasse teria a mesma reação, ela iria me deixar mais cedo ou mais tarde, agora era tão tarde, ela sabia toda a verdade e estava disposta a me esquecer, eu era apenas mais um assassino sujo agora

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Entardecer. 4ª parte

Eu estava decidido a esquecê-la, depois daquela noite na escola eu senti como se eu não pudesse mais fazer nada sobre isso, a não ser deixá-la livre para viver sua vida, fiquei pensando nisso e em uma maneira de esquecer toda essa história, mas seu nome martelava em minha cabeça, era um nome doce agora e eu não ousava pronunciá-lo.
Era uma tarde clara, eu decidi dar uma volta, não sabia exatamente aonde eu iria. De alguma forma meu caminho me levava a você, e eu me vi de repente parado em frente a sua casa, esperando que você saísse, eu fugiria imediatamente, você não iria querer falar comigo mais uma vez.
Estava tudo calmo, mas a porta da frente se abriu bruscamente e pude ouvir gritos, alguém estava de saída e procurei me esconder o mais rápido possível, você gritava furiosamente com seu pai, as palavras estavam sendo atiradas pelos dois lados – Ele não é bom o suficiente para você, ele é uma má pessoa! – eu pude perceber que eu era o motivo da briga – Lhe dê uma chance! Ele pode mudar, eu acredito! – Eles se olharam, friamente – Você não vai sair para procurá-lo! Não mesmo! – a porta se fechou e ouvi alguns passos em direção a rua, o seu rosto angelical estava corado e sua respiração parecia furiosa, você estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo, seus longos cabelos negros e você pareciam diferentes, pareciam sem vida. Eu saí de onde estava escondido, e você me viu você não sorriu apenas se atirou em mim novamente, descansando sua cabeça em meu ombro, deu um longo suspiro e logo depois um sorriso, olhos tristes me queimavam a pele.
Minha vontade era de te levar embora, para um lugar onde só nós poderíamos estar, juntos e mais uma vez felizes, eu te afastei um pouco e olhei dentro de seus olhos novamente, você segurou em minha mão e me deixou nós guiar, seguindo a rua o sol estava quase se pondo, o céu alaranjado era o início do fim de mais um dia, e eu estava com você, de novo como um ato impensado eu beijei você, você não se recusou, não fugiu, só se deixou ser beijada, e seria difícil deixar você, ou apenas dizer o que eu sentia, era algo profundo e cruel que eu nunca havia sentido, você sempre me fazia sentir-se sem ar, como nenhuma outra já fez.
Encontramos o fim da rua antes de o sol ser pôr, observamos cada detalhe e esperamos que mais uma noite escura e fria chegasse pra nos atingir, mas a noite era sombria demais para você, a noite era mais parecida comigo do que eu queria e você estava feliz e parecia disfarçar muito bem sua agonia tão bem quanto eu que não pretendia viver mais nem um dia se eu não estivesse lhe vendo sorrir, sua pele clara, mas não pálida, seus olhos claros cor de mel, era como o antídoto para me curar de mim mesmo, de quem realmente eu sou.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os meus segredos. 3ª parte

Acordei atordoado, deparei – me com o espelho no meu quarto escuro, ele me mostrava minha feição mórbida, minha pele pálida, morta e meu cabelo caído sobre o rosto. Isso não me assustava isso era eu depois dos meus problemas, ou segredos, pra você.
Na manhã seguinte eu me vesti e fui até a frente do seu jardim, devia estar bem quente, e seus pais não deveriam me ver por ali, me escondi entre as plantas e esperei até que você saísse para a rua, você estava radiante e parecia feliz, não era como eu, você parecia sempre bem.
Preciso falar com você – disse baixo, o suficiente para somente você me ouvir, você veio com o seu melhor sorriso aberto e saltou em meus braços e me surpreendeu com um abraço carinhoso – Mas é claro, pode falar – disse sorrindo. Você precisava saber os meus segredos, eu devia ser justo com você – É algo que eu não gosto de falar- você me olhou quieta, talvez intrigada – Estou estranhando esse seu tom, parece distante – Eu não gostava de dizer a verdade, se ser honesto com as pessoas, mas agora era diferente. Eu dei um suspiro – Estou gostando de você, mais do que eu queria, mas... – Você me interrompeu dando um grande sorriso, como quem não pretendia ouvir o resto da declaração, eu lhe encarei como um gesto desaprovador, você ficou seria e eu continuei – Mas, eu não sou bom suficiente para você, olhe para você e olhe para mim, você não precisa ser muito inteligente para perceber que nós nunca daríamos certo. – ouve um silêncio, Nós dois no encaramos e eu retomei – Você já deve ter ouvido alguns boatos sobre mim, sobre quão má companhia eu sou – Você me interrompeu novamente, com um olhar mais duro – Eu não ligo para o que os outros dizem de você! – Agora eu pensava em como eu a faria entender que ela não poderia estar comigo por mais muito tempo, ela estava disposta a ficar comigo por cima de tudo, eu pude ver, mas eu não estava disposto a arriscar sua vida por meus desejos.
Saí de lá com a sensação de algo não estava certo sobre essa situação, havia um ponto em que eu não estava pensando, a rua vazia me fez lembrar-se de mim e de quem eu sou, o telefone tocou, aquela voz raivosa parecia gritar, mas estava tensa, seu pai me disse que eu não deveria estar perto de você, que ele havia descoberto e que você não era algo que eu devia estar pensando em me aproximar, ele tinha razão, ele me disse outras verdades sobre mim, mas essas eu preferi esquecer logo, não era algo com que eu devesse me preocupar, eram só verdades. Eu sabia que ele tinha razão, mas me afastar de você não era algo tão fácil, você me atraia com nenhuma droga já fez, você era mais do que isso e por você eu mudaria.
Fiquei alguns dias sem tentar encontrá-la, mas logo desisti de fugir, fui até a porta da sua escola e fiquei lhe esperando, até que você saiu, parecia hesitante e honesta demais com seu pai eu diria o tipo de garota que não se envolve com problemas nunca, você deu alguns passos lentos até mim, cheguei mais perto e lhe puxei para baixo, na calçada você estava sentada, me abaixei de frente e olhei em seus olhos, agora eu me senti tão fraco diante de uma garotinha que tinha o poder de mudar minha vida, eu disse me entregando as lágrimas – Eu posso mudar se você quiser, eu serei o que você precisa – Você parecia tão distante, parecia fugir daquele lugar, com os olhos perdidos – Não, não agora, nós podemos só deixar o tempo esfriar as coisas – me disse fugindo novamente com o olhar, parecia como um animal selvagem preso, com medo, eu aceitei, me levantei calmamente e saí admitindo, eu não era e nunca seria o que você precisa.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Não. 2ª parte

Nosso tempo passou de acordo como o deixávamos fazer, as coisas ainda não estavam totalmente claras entre nós, ou para ser mais sincero você não sabia toda a verdade sobre mim e eu não deveria deixar isso obscuro por mais muito tempo, logo você estaria me perguntando coisas as quais eu não saberia responder, não era justo.
Você como sempre, estava impecável, com aquele seu cabelo escuro e escorrido, com aquele seu sorriso sempre apostos para quando alguém precisar, eu não poderia mentir para alguém assim, não mais.
Mas a verdade é que você não gostaria de mim, nem mais um pouco se soubesse das minhas verdades, você odiaria o que me tornei, você estava sempre tão... Viva, e eu não podia fazer nada a respeito disso.
Eu decidi, foi uma decisão difícil, mas eu deveria tomar algumas atitudes, eu saí cedo agora com algumas coisas na mente, talvez eu devesse contar com calma quem sabe você entenderia meus motivos sujos, talvez eu devesse contar em partes, ou não.
Eu fui caminhando e à medida que me aproximava do nosso local de encontro, eu fui diminuindo os passos, eu fui esquecendo por quais motivos eu deveria fazer aquilo, seria mais fácil só ir embora e nunca mais voltar, poupar você da verdade, por mais que eu amasse você eu não tinha certeza de seus sentimentos por mim, eu deveria ter voltado, mas o impulso de te ver mais uma vez não me deixou, e meus pés me levaram até você.
Aproximei-me devagar, talvez você ainda não estivesse acostumada a me ver tão perto, talvez fosse assustador pra você. Você me observou incrédula, parecia que você estava lendo alguma coisa em mim, eu não sei bem – Você vai me deixar não é? – Eu não poderia responder a uma pergunta tão direta assim, como ela sabia me ler dessa maneira – Está escrito em seu olhar, você quer me deixar. Mas por quê? – Eu tratei logo de desviar o olhar, se ela via isto ela poderia ver muito mais de mim – Eu devo deixá-la, você não deveria estar comigo, não deveria pensar em mim – Eu disse isso e logo desviei o olhar, eu não agüentaria olhar para aqueles olhos tristes por mais muito tempo – Você não pode, é tarde demais para nós – Quando ela disse essas palavras, eu senti aquela dor no peito, que há muito não sentia como eu nunca deveria ter me aproximado, eu nunca deveria a ter tocado daquela forma inescrupulosa.
Que sujo – Eu repeti para mim mesmo, dando as costas e saindo como alguém que perdeu a batalha, pronto eu a tinha visto mais uma vez e isso já me bastava, agora eu deveria ir e deixá-la viver a sua vida com pessoas normais, achar um cara normal, ela não deveria se envolver comigo.
Espere! – Ela gritou do outro lado da rua, eu não deveria parar, eu parei. Ela deu alguns passos rápidos e logo já estava ao meu lado, me olhando como quem podia ver dentro de minha alma, em movimentos rápidos ela estava com suas pequenas mãos, virando meu rosto para encará-lo, não mais com olhos incrédulos ela disse – Seja o que for de tão mal, não importa eu não lhe deixarei e eu sei que você nunca me machucaria – Naquele momento eu deveria ter dito ‘o não’, mas eu não fui capaz de me negar àqueles olhos brilhantes mais uma vez, eu segurei sua mão de apertei sobre meu peito.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O beijo. 1ª parte

Era cedo, quando te conheci e o sol ainda nem havia se posto, eu já havia lhe visto algumas vezes mas nunca tinha criado coragem pra falar com você, você me deixava tenso com o seu jeito te tocar os cabelos e até mesmo com esse sorriso bobo.
Eu fui, eu certamente estava com a mesma frase idiota na minha cabeça, ensaiada várias vezes, eu não podia parar de pensar naquela frase tudo era tão medíocre diante daquele momento, você parou e me olhou, aquele olhar parecia fogo em minha pele, não que fosse a sua intenção mas eu não podia sobreviver a seu olhar encantador, você era tão... Perfeita.
Dei mais alguns passos em sua direção até chegar perto o suficiente de você para dizer aquela estúpida frase, não funcionou. Não consegui dizer nenhuma palavra se quer, você estava alí na minha frente em um momento único e a única coisa em que eu podia pensar era em como você estaria odiando olhar pra mim um segundo se quer, como você deveria se sentir enojada com a minha presença, você sorriu.
Me afastei, para verificar se você estava realmente sorrindo pra mim, você não podia sorrir para mim, não era justo com a sua pessoa, simplesmente se envolver com alguém como eu! Eu tive uma vontade imensa se dizer que não sorrisse, que fugisse, mas eu sorri de volta.
E todos os dias que se passaram, as palavras aos poucos saiam, mas nada que pudesse afligir a sua natureza pura, eu não me permitia ao menos tocar você, parecia arriscado demais te prender nos meus problemas inexplicáveis.
Com o tempo, trocavámos mais que alguns sorrisos, mas era difícil para mim falar alguma coisa quando você estava alí do meu lado tão perfeita, incrível, me deixava sem palavras, só suspiros.
Foi em uma noite dessas qualquer, que costumavamos no ver andando pelo mesmo lugar que eu criei coragem e te encarei, nos primeiro minutos foi quase assustador perceber a força que você exercia sobre mim, cheguei mais perto, e você me olhando com aqueles seus olhos tão vívidos, eu disse - Eu estive pensando sobre você... - Não houve resposta. Eu pensei, mil vezes que nunca deveria ter dito aquilo, foi burrice. mas logo em seguida, você disse em tom brando com a sua voz macia - Eu não pude evitar de pensar também. - Meus dedos chegaram mais pero do seu rosto, eu pude sentir um sorriso se abrir em sua boca, eu me senti estranho quando você chegou mais perto, e mais perto. Um beijo, você me deu um beijo, não evitei, mesmo sabendo que isso poderia representar um grande problema para você, eu realmente não queria enfrentar meus problemas agora, eu só me entreguei nesse beijo que mais parecia a entrada para o céu.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

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Você me disse 'vá dormir eu cuidarei de tudo', eu levemente atordoada escrevia mais uma triste canção pra aquele nosso repertória indigno, eu estava realmente com olhos de fogo, com o medo que me consumia, eu não podia simplesmente ir dormir, eu quis ficar.
Como Mármore, imóveis passamos mais uma noite em claro, com nossos mesmos olhos sem lágrimas, só medo, nada estava melhor, só cada vez pior e você não podia sentir como eu me sentia, você nem mais me olhou incrédulo, você levantou e saiu, sem aviso só um gesto, eu entendi que você voltaria, não lhe perguntei quando, você o faria.
Minha voz grave, naquela manhã não estava mais grave que o costume e me fez lembrar da primeira vez que você me ouviu cantar, uma pequena canção, outra triste canção, eu cantei novamente para lembrar a sensação de estar solene.
Não, eu não me atiraria daqui do sétimo andar, não em uma manhã escura como essa, parecia até que o sol se recusara a sair e olhar meu rosto despresivel, de tal forma como se eu nunca tivesse vivido ou cor, meus olhos fundos e afundados de tristeza, não solidão.
E parece que foi ontem que eu te encontrei, você estava não sozinho, mas sem amor, você estava vagando em um corpo estranho, o seu corpo, perfeito pra você.
Você me disse ' Vá dormir, eu cuidarei de tudo', eu quis fugir ao lembrar dessas palavras, que não tinham mais valor algum, afinal onde estaria você agora? cuidando de tudo? não sei bem, eu me lembro de breves focos de visão, eu ainda estava na mesma música ruim, de péssima melodia, eu não estava aqui, não no meu corpo, eu dormi.
Na última manhã, você estava exatamente ao meu lado, como na primeira e nas outras vezes em que eu quis ir. Não, eu não me atirei so sétimo andar, me atirei de algo tão pior que o conhecido, eu me atirei na minha prisão pessoal, eu estava presa a todas as lembraças da minha vida passada, antes de você. A droga da vida, da minha, mas você estava alí, com seus olhos escuros e inespressivos, apenas mais uma vez segurando a minha mão, você me olhou dentro dos meus olhos cansados, frágeis e me disse 'Vá dormir, eu cuidarei de tudo'.