Nosso tempo passou de acordo como o deixávamos fazer, as coisas ainda não estavam totalmente claras entre nós, ou para ser mais sincero você não sabia toda a verdade sobre mim e eu não deveria deixar isso obscuro por mais muito tempo, logo você estaria me perguntando coisas as quais eu não saberia responder, não era justo.
Você como sempre, estava impecável, com aquele seu cabelo escuro e escorrido, com aquele seu sorriso sempre apostos para quando alguém precisar, eu não poderia mentir para alguém assim, não mais.
Mas a verdade é que você não gostaria de mim, nem mais um pouco se soubesse das minhas verdades, você odiaria o que me tornei, você estava sempre tão... Viva, e eu não podia fazer nada a respeito disso.
Eu decidi, foi uma decisão difícil, mas eu deveria tomar algumas atitudes, eu saí cedo agora com algumas coisas na mente, talvez eu devesse contar com calma quem sabe você entenderia meus motivos sujos, talvez eu devesse contar em partes, ou não.
Eu fui caminhando e à medida que me aproximava do nosso local de encontro, eu fui diminuindo os passos, eu fui esquecendo por quais motivos eu deveria fazer aquilo, seria mais fácil só ir embora e nunca mais voltar, poupar você da verdade, por mais que eu amasse você eu não tinha certeza de seus sentimentos por mim, eu deveria ter voltado, mas o impulso de te ver mais uma vez não me deixou, e meus pés me levaram até você.
Aproximei-me devagar, talvez você ainda não estivesse acostumada a me ver tão perto, talvez fosse assustador pra você. Você me observou incrédula, parecia que você estava lendo alguma coisa em mim, eu não sei bem – Você vai me deixar não é? – Eu não poderia responder a uma pergunta tão direta assim, como ela sabia me ler dessa maneira – Está escrito em seu olhar, você quer me deixar. Mas por quê? – Eu tratei logo de desviar o olhar, se ela via isto ela poderia ver muito mais de mim – Eu devo deixá-la, você não deveria estar comigo, não deveria pensar em mim – Eu disse isso e logo desviei o olhar, eu não agüentaria olhar para aqueles olhos tristes por mais muito tempo – Você não pode, é tarde demais para nós – Quando ela disse essas palavras, eu senti aquela dor no peito, que há muito não sentia como eu nunca deveria ter me aproximado, eu nunca deveria a ter tocado daquela forma inescrupulosa.
Que sujo – Eu repeti para mim mesmo, dando as costas e saindo como alguém que perdeu a batalha, pronto eu a tinha visto mais uma vez e isso já me bastava, agora eu deveria ir e deixá-la viver a sua vida com pessoas normais, achar um cara normal, ela não deveria se envolver comigo.
Espere! – Ela gritou do outro lado da rua, eu não deveria parar, eu parei. Ela deu alguns passos rápidos e logo já estava ao meu lado, me olhando como quem podia ver dentro de minha alma, em movimentos rápidos ela estava com suas pequenas mãos, virando meu rosto para encará-lo, não mais com olhos incrédulos ela disse – Seja o que for de tão mal, não importa eu não lhe deixarei e eu sei que você nunca me machucaria – Naquele momento eu deveria ter dito ‘o não’, mas eu não fui capaz de me negar àqueles olhos brilhantes mais uma vez, eu segurei sua mão de apertei sobre meu peito.
An Epiphany!
Há 14 anos

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