Eu estava decidido a esquecê-la, depois daquela noite na escola eu senti como se eu não pudesse mais fazer nada sobre isso, a não ser deixá-la livre para viver sua vida, fiquei pensando nisso e em uma maneira de esquecer toda essa história, mas seu nome martelava em minha cabeça, era um nome doce agora e eu não ousava pronunciá-lo.
Era uma tarde clara, eu decidi dar uma volta, não sabia exatamente aonde eu iria. De alguma forma meu caminho me levava a você, e eu me vi de repente parado em frente a sua casa, esperando que você saísse, eu fugiria imediatamente, você não iria querer falar comigo mais uma vez.
Estava tudo calmo, mas a porta da frente se abriu bruscamente e pude ouvir gritos, alguém estava de saída e procurei me esconder o mais rápido possível, você gritava furiosamente com seu pai, as palavras estavam sendo atiradas pelos dois lados – Ele não é bom o suficiente para você, ele é uma má pessoa! – eu pude perceber que eu era o motivo da briga – Lhe dê uma chance! Ele pode mudar, eu acredito! – Eles se olharam, friamente – Você não vai sair para procurá-lo! Não mesmo! – a porta se fechou e ouvi alguns passos em direção a rua, o seu rosto angelical estava corado e sua respiração parecia furiosa, você estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo, seus longos cabelos negros e você pareciam diferentes, pareciam sem vida. Eu saí de onde estava escondido, e você me viu você não sorriu apenas se atirou em mim novamente, descansando sua cabeça em meu ombro, deu um longo suspiro e logo depois um sorriso, olhos tristes me queimavam a pele.
Minha vontade era de te levar embora, para um lugar onde só nós poderíamos estar, juntos e mais uma vez felizes, eu te afastei um pouco e olhei dentro de seus olhos novamente, você segurou em minha mão e me deixou nós guiar, seguindo a rua o sol estava quase se pondo, o céu alaranjado era o início do fim de mais um dia, e eu estava com você, de novo como um ato impensado eu beijei você, você não se recusou, não fugiu, só se deixou ser beijada, e seria difícil deixar você, ou apenas dizer o que eu sentia, era algo profundo e cruel que eu nunca havia sentido, você sempre me fazia sentir-se sem ar, como nenhuma outra já fez.
Encontramos o fim da rua antes de o sol ser pôr, observamos cada detalhe e esperamos que mais uma noite escura e fria chegasse pra nos atingir, mas a noite era sombria demais para você, a noite era mais parecida comigo do que eu queria e você estava feliz e parecia disfarçar muito bem sua agonia tão bem quanto eu que não pretendia viver mais nem um dia se eu não estivesse lhe vendo sorrir, sua pele clara, mas não pálida, seus olhos claros cor de mel, era como o antídoto para me curar de mim mesmo, de quem realmente eu sou.
An Epiphany!
Há 14 anos

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